Painel 1 – Coordenação Klaus Frey (UFABC) e Gerardo Silva (UFABC) –
Sala S-001

Governança Ambiental: novas agendas de pesquisas, discussões teóricas e metodológicas

Tema presente na agenda ambiental contemporânea, governança refere-se a gestão interinstitucional e compartilhada de distintos atores sociais para lidar com os crescentes desafios urbanos, ambientais, econômicos e sociais, em um mundo globalizado e interdependente. Refletir sobre governança ambiental é buscar a compreensão de processos de articulação e de cooperação, em rede e em múltiplas escalas, que tenham a capacidade de promover, sobretudo, um maior engajamento da sociedade civil na definição e implementação de projetos e programas da política ambiental. Considerando as atuais tendências políticas e o contexto de incertezas, mudanças climáticas e crise, o intuito deste painel é refletir sobre as limitações e as potencialidades existentes para se inovar na governança ambiental, com especial atenção às pesquisas que tratem dos mais recentes desafios da agenda ambiental, assim como de ferramentas e metodologias que tenham o potencial de gerar transformações. Abrangerá trabalhos que proponham discussões teóricas sobre governança ambiental, como também pesquisas que enfatizam técnicas e metodologias para abordagem de governança.


Painel 2 – Coordenação Silvana Zioni (UFABC) e Larissa Ferrer Branco (Mackenzie) – Sala S-001

Infraestrutura, Logística e Desenvolvimento Regional na Macrometrópole Paulista

Macrometrópole, termo cunhado para identificar o território da mais concentrada e intensa urbanização brasileira – a cidade-região metrópole que extravasou os limites originais da RMSP – vem permitindo que novos arranjos de gestão e desenvolvimento regional, sejam formados na medida das demandas e especificidades funcionais ou setoriais do processo de metropolização. A caracterização desse território justificou tanto os modelos de concessão rodoviária dos anos 1980, quanto a estratégia de abranger unidades hidraulicamente conectadas no entorno da Grande São Paulo. Desde então, a instituição da Macrometrópole Paulista se apresenta uma plataforma de planejamento e integração de políticas públicas setoriais, o que significa o seu reconhecimento como instância de regulação das redes técnicas necessárias para a integração de projetos e de promoção do desenvolvimento regional sustentável. Entretanto, no atual quadro de polarização entre interesses públicos e privados na provisão de redes técnicas de infraestrutura, isso ainda não se concretizou, persistindo o debate sobre os desafios da colaboração e parcerias público – privado e do planejamento regional diante dessa nova unidade territorial. Tendo esse cenário como referência, o painel Infraestrutura, Logística e Desenvolvimento Regional na Macrometrópole Paulista objetiva conhecer estudos e pesquisas dedicados a compreender e discutir os diversos aspectos da relação entre os interesses do mercado, as demandas sociais e o Estado, avaliando as efetivas possibilidades de mobilização desenvolvimento do território na Macrometrópole Paulista.


Painel 3 – Coordenação Luciana Travassos (UFABC),
Vanessa Empinotti (UFABC) e Tatiana Rotondaro (FEA-USP) – Sala S-003

Novos Territórios Metropolitanos: Fronteiras de expansão urbana e ruralidades na Macrometrópole Paulista

A constante e acelerada expansão urbana vivida na Macrometrópole Paulista nas últimas décadas tem produzido a ocupação e reconfiguração de áreas antes agrícolas ou florestadas e gerado fragmentos e mosaicos de usos da terra, tornando cada vez mais difusa e desafiadora a definição de fronteiras entre o urbano e o rural na macrometrópole. Estes espaços de transição constituem territórios de grande interesse para a governança da macrometrópole, pois abrigam variadas formas, funções, atividades, conflitos e soluções socioespaciais e socioambientais, frequentemente desconsiderados nas políticas públicas, que segregam o rural e o urbano, produzindo a invisibilidade do produtor rural nas áreas urbanas e periurbanas. Neste contexto, o painel Novos Territórios Metropolitanos: Fronteiras de Expansão Urbana e Ruralidades na Macrometrópole Paulista objetiva reunir estudos dedicados a compreender aspectos da relação entre o urbano, o periurbano e o rural que contribuam para identificar desafios e propor novas possibilidades para o planejamento e a gestão do território na Macrometrópole Paulista.


Painel 4 – Coordenação Lira Benites (FSP/USP) – Sala S-004

Nexus (Água, energia e alimentos) na Macrometrópole Paulista

O nexo água-energia-alimentos (water-energy-food nexus) é um conceito teórico que descreve as interdependências entre os sistemas complexos desses recursos. A principal premissa da abordagem do nexo é que no nosso mundo hiperconectado os três componentes (água-energia-alimentos) estão cada vez mais interdependentes, com impactos em um setor afetando os outros. A produção de alimentos em larga escala, por exemplo, conecta-se com a alocação de insumos agrícolas, demandas energéticas e de recursos hídricos. Embora a água seja um recurso valioso e vulnerável por si só, sua importância e sua conexão com a segurança energética e segurança alimentar não podem ser subestimadas. A exploração intensiva dos recursos de água doce tanto pela indústria energética como pela agrícola é um exemplo de usos concorrentes. Da mesma forma, a energia gerada usando recursos hídricos é necessária para a produção de alimentos.

No entanto, apesar dessa indivisibilidade factual, as soluções regulatórias continuam isoladas e se mantém a tradição de planejamento e de ações setorizadas, frequentemente exacerbando mecanismos custosos de compensações, externalidades e passivos. Entender e levar em conta essas interdependências será vital para desenvolver soluções para mitigar e promover sinergias capazes de contribuir com o desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo, ajudando na adoção de tomadas de decisão que alcancem objetivos econômicos, ambientais e sociais.

Este painel visa proporcionar uma oportunidade para a troca de conhecimentos e discussões para compreender o estado atual, desafios e barreiras quanto a aplicabilidade do nexo água-energia-alimentos, as técnicas metodológicas emergentes sobre os estudos do nexo, soluções, estratégias, sua governança e possibilidades de políticas sistêmicas voltadas a sustentabilidade e a resiliência urbana.


Painel 5 – Coordenação Samia Sulaiman (UFABC) e Fernando Rocha Nogueira (UFABC) –
Sala S-001

Vulnerabilidades, riscos e justiça ambiental na Macrometrópole Paulista

O processo histórico de (des)organização socioespacial e as dinâmicas da Macrometrópole Paulista, apresentam uma grande diversidade de situações de riscos ambientais urbanos, entendidos como “disfunções” com potencialidade de gerar processos causadores de perdas e danos às pessoas, bens e infraestrutura do entorno. A construção social dos riscos, ligada à gestão insustentável do ambiente urbano, tem, na sua face mais perversa, a proliferação e perpetuação de situações de exclusão de grupos vulneráveis, vítimas da segregação socioespacial que restringe as populações mais pobres aos fundos de vale, às várzeas alagáveis e às encostas mais íngremes. Portanto, faz-se necessária uma revisão profunda das relações entre a estrutura e gestão urbanas, os conflitos socioespaciais, a governança e a justiça ambiental, considerando a vulnerabilidade municipal e os impactos das intervenções humanas nas bacia hidrográfica tanto pelo excesso de água (inundações e deslizamentos), quanto pela escassez hídrica.

Neste contexto, o painel Vulnerabilidades, Riscos e Justiça Ambiental na MMP objetiva reunir estudos que visam compreender aspectos destas relações entre as vulnerabilidades urbanas socioespaciais com a prevenção de riscos e desastres, mediação de conflitos e o aumento e legitimidade da participação social na tomada de decisão.


Painel 6 – Coordenação Pedro Côrtes (IEE/PROCAM/ECA/USP) e Andrea Lampis (IEE/USP) – Sala S-004

Eventos Severos, Energia, Adaptação e Variabilidade Climática na Macrometrópole Paulista

Em um contexto fortemente marcado por mudanças climáticas globais e incertezas, eventos severos têm se tornado cada vez mais frequentes no mundo, e não tem sido diferente na Macrometrópole Paulista. Nesse sentido o presente Painel, em perspectiva interdisciplinar, busca refletir sobre essas mudanças, as ações e reações do poder público, de organizações não governamentais e da sociedade civil. Questões relativas às mudanças climáticas, adaptação e energia – transições, energias renováveis, planejamento e eficiência energética, entre outros – devem compor as discussões do presente Painel.


Painel 7 – Coordenação Leopoldo Cavaleri Gerhardinger (IO/USP) e Alexander Turra (IO/USP) – Sala S-003

Governança Costeira na Macrometrópole Paulista

A expansão da região Metropolitana de São Paulo (RMSP) para os territórios costeiros nos últimos 50 anos influenciou profundamente a evolução de sistemas socioecológicos em um território comum. Este processo decorre de vetores de desenvolvimento e pressões potencialmente conflitantes com a sustentabilidade, e já vem provocando impactos locais significativos. O recorte da macrometrópole reconhece um novo patamar de interação territorial funcional e de suas interdependências, que demanda ampla revisão dos paradigmas existentes em torno dos instrumentos setoriais e multissetoriais de gestão em diferentes escalas espaciais. Trata-se de uma área integrada por fluxos de mercadorias, pessoas, serviços ecossistêmicos, vulnerabilidades e informações tendo a capital paulista como seu centro polarizador, e a zona costeira (litoral norte e baixada santista) como forte áreas de influência. Dessa forma, esse painel é proposto para discutir amplamente, explorando olhares interdisciplinares, como governar a zona costeira sob a influência da maior metrópole da América Latina. Quais os desafios para a manutenção dos serviços ecossistêmicos em uma perspectiva de economia/crescimento azul? De que forma as cidades costeiras precisam lidar com as estratégias de adaptação às mudanças climáticas? Como promover a melhoria do bem-estar das populações costeiras, transformando conflitos socioambientais e garantindo o desenvolvimento econômico regional? Quais ações e iniciativas inter e transdisciplinares são necessárias na interface do conhecimento para as políticas públicas, de modo a transformar os conflitos em oportunidades, e construir regimes de governança costeira integrados e com base ecossistêmica? Essas são algumas das perguntas que esse painel busca discutir, estimulando um rico debate interdisciplinar que aporte recomendações para processos transdisciplinares neste território. Nesse sentido serão aceitos trabalhos interdisciplinares em diálogo com as ciências do mar, gestão costeira, ciências ambientais, gestão ambiental, ordenamento territorial, mas também trabalhos com abordagens específicas da oceanografia, biologia marinha entre outros, que estabeleçam links e redes com um recorte macro.